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Trapiche: antiga porta de entrada de Maceió

Foto: Avenida Siqueira Campos   Antigo “caminho da vila”, o Trapiche de Barra é um dos bairros mais antigos de Maceió. Começou com um porto na lagoa Mundaú, que transportava mercadorias e passageiros entre a antiga capital (atual Marechal Deodoro) e a vila, que depois transformou-se em capital da província. De antigo, restou a igrejinha de Nossa Senhora da Guia, bem próxima ao antigo porto, que ainda funcionava até a década de 70, quando não existia a rodovia em demanda ao litoral Sul, passando pela ilha de Santa Rita.
   Aos poucos, o bairro foi modernizando, e transformou-se num reduto da classe média, que construí suas casas em demanda a orla marítima, partindo do Estádio Rei Pelé, na Avenida Siqueira Campos, que começa no Prado e termina na Praça Pingo D’água, se constituindo numa das mais extensas da cidade, com pista dupla e já transformada em comércio, restando poucas residências.
   Trapiche, segundo Aurélio Buarque de Holanda, é um armazém de mercadorias importadas ou a exportar. E, foi exatamente daí, que surgiu o nome do bairro, através de armazém de mercadorias, que chegavam da antiga capital para serem exportadas pelo porto de Jaraguá. Da Barra, deve-se a proximidade da barra, com o encontro da lagoa e o mar.
   Até o final dos anos 50, o bairro era servido pelos bondes que percorriam vários pontos de Maceió. Atravessava toda a extensão da avenida Siqueira Campos. Nos anos 60, veio o progresso com a construção do Rei Pelé “Trapichão”. Depois, o Hospital José Carneiro, o Constância de Góes Monteiro, a Escola de Ciências Médicas, o Pronto-Socorro, e mais recentemente o Ginásio do Sesi e o Pavilhão Multi-Eventos.
   As ruas foram pavimentadas, e arborizadas, e de antigo reduto de pescadores, o Trapiche virou um reduto de classe média da capital, a partir dos anos 70. dezenas de ônibus levam passageiros para o Centro e outros bairros, o acesso pode ser feito tanto pela Siqueira Campos, como pela Assis Chateaubriand, na orla marítima.

“Trapichão” virou o cartão postal

Foto: Estádio Rei Pelé   No final dos anos 60, quando o então governador Lamenha Filho inaugurou o Estádio Rei Pelé, batizou logo de “Trapichão”, alusão ao nome do bairro. A parti daí, o trapiche teve um só caminho: o crescimento. Dezenas de casas foram construídas e abertas novas ruas, nos antigos sítios de coqueiros à beira-mar. A prefeitura foi logo providenciando a pavimentação, enquanto a Avenida Siqueira Campos ganhava novos melhoramentos, com pista dupla e boa iluminação.
   Além dos jogos do campeonato alagoano, de clubes que são convidados especiais para jogar no Trapichão, ainda se promove lá, desfiles escolares e outros eventos. Por muito tempo funcionava uma movimentada boate: a Massayó, além de um hotel. O estádio recebeu melhoramentos na administração passada, e hoje é um dos mais confortáveis e seguros do Nordeste.
   Ao lado do Trapichão, o Sesi construiu um amplo ginásio de esportes, com capacidade parar 7 mil pessoas. Shows com artistas famosos continuam sendo realizados lá.
   Atrás fica o pavilhão Multi-Eventos, para realização de exposições.

Comércio dá vida própria ao Trapiche

   Como os demais bairros de Maceió, o Trapiche da Barra também tem seu próprio comércio, garantindo o abastecimento da sua população. São mercadinhos, padarias, farmácias, lanchonetes, bares, restaurantes e outros estabelecimentos comerciais. Em dia de jogo de futebol no Rei Pelé ou no Ginásio do Sesi, o bairro se agita. São centenas de carros percorrendo suas ruas e avenidas e o movimento nos bares e restaurantes, é intenso.
   Por quase toda a extensão da Avenida Siqueira Campos, existem os mais variados ramos do comércio. Numa das ruas que interligam essa avenida a orla marítima, o bar das Ostras, um dos mais antigos e famosos da cidade, atrai um bom publico, principalmente turistas. Outros bares, também são bastante movimentados nos fins de semana.
   Moradores das proximidades do Rei Pelé, improvisam lanchonetes ou bares em suas casas, aproveitando o intenso movimento naquela área. Já existem pizzarias, sorveterias e muitos bares, servindo a cerveja gelada e tira-gosto à base de frutos do mar ou da lagoa.

Moradores mantém fé católica

Quem se dirige ao Trapiche da Barra, logo no seu inicio, depara-se com a Igreja matriz de São José, que simboliza a fé católica de seus moradores. Lá são celebradas missas, casamentos, batizados e outras cerimônias religiosas. A comunidade se reúne para discutir problemas do bairro, procurando minimizar o sofrimento dos mais necessitados. Um pouco mais adiante fica a capela Nossa senhora da Guia, a mais antiga do bairro, construída no século passado, quando Maceió ainda era uma vila. Já existem outras igrejas, mas o catolicismo ainda é o mais atuante em meio aos seus moradores.
   Em dia de festa seu padroeiro (São José), é realizada a novena e a procissão, que percorre varias ruas. Muitos moradores do Prado (bairro vizinho), freqüenta aquela Igreja. Na entrada do bairro, contornando a lagoa Mundaú, outro símbolo da fé católica: a imagem da Virgem dos Pobres, e logo depois, o famoso "Papódromo", onde o Papa João Paulo II abençoou os alagoanos, em sua visita à Maceió.

Praça Pingo D’água é um referencial do antigo bairro

   No final da Avenida Siqueira Campos, uma pracinha simboliza os bons tempos da tranqüilidade e romantismo do bairro do Trapiche da Barra. Era palco de shows artísticos e comícios, além de maratonas carnavalescas. Por lá circulavam os bondes em demanda ao Centro da Maceió e outros bairros. A praça também era o ponto de encontro da juventude, que não tinha outra área de lazer.
   Logo depois da Pingo D’água, fica um outro largo, que servia de ponto de encontro dos passageiros que pegavam a lancha para ir até Marechal Deodoro. No inicio dos anos 70, quando começou o Festival de Verão, toda concentração da juventude era naquele local. Ainda existem algumas casas antigas, que lembram o bairro no inicio do século. Mas a maioria já está descaracterizada ou foi derrubada para dar espaço a casas comerciais ou mesmo residências com arquitetura moderna.
   Partindo desse ponto do Trapiche, vai se chegando ao final do bairro, com a rua Riachuelo para atingir o Pontal da Barra, margeando a lagoa, e chegando a avenida Alípio Barbosa, uma homenagem fundador do famoso Bar do Alípio.

Pesquisa e Texto: Jornalista Jair Barbosa Pimentel

Fotos: Fernando Coelho e José Ademir

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